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Astrônomo amador brasileiro descobre supernova

Engenheiro observa explosão de estrela a 60 milhões de anos-luz da Via Láctea


A supernova SN2002bo, na galáxia NGC3190, foi encontrada
e fotografada por Paulo Cacella na noite de 8 de março

Por um dia, no mês de março, um funcionário do Banco Central foi notícia nas páginas de ciência, e não nas de economia. No dia 8, o brasileiro Paulo Cacella, engenheiro eletricista da instituição e astrônomo amador nas horas vagas, descobriu uma supernova -- explosão extremamente brilhante de uma estrela, um dos fenômenos mais impressionantes do universo.

Segundo a teoria clássica da evolução estelar, a supernova é uma estrela de grande massa -- pelo menos dez vezes maior que a do Sol -- que explode nos estágios finais de sua evolução. A explosão ocorre quando a pressão da estrela não consegue compensar sua imensa força gravitacional. O núcleo se torna instável, e por isso explode. Nessa fase -- que pode durar alguns dias -- o brilho da estrela é equivalente ao de uma galáxia inteira.

A supernova encontrada por Cacella (a SN2002bo) fica na galáxia NGC3190, situada a 60 milhões de anos-luz da Via Láctea. Por volta das nove horas da noite de 8 de março, no terraço de sua casa em Brasília, o astrônomo amador direcionou seu telescópio para a constelação de Leão e viu a supernova. "Posso dizer que, no momento em que a vi pela primeira vez, sabia ser uma supernova", conta Cacella em seu site. "O que eu não sabia é que era inédita."

O brasileiro informou a descoberta à União Astronômica Internacional (UAI), em Cambridge (EUA), que, duas horas depois, publicou uma nota que afirmava: a supernova era mesmo inédita, e sua localização havia sido confirmada por astrônomos japoneses.


Instantes após o comunicado de Cacella à UAI, a descoberta
da supernova foi confirmada por astrônomos do Observatório
de Lick, que a fotografaram com o telescópio Kait

"Descobrir uma supernova é como ganhar na loteria", diz o astrônomo Walter Maciel, do Instituto de Astronomia e Geofísica da Universidade de São Paulo (IAG-USP), à CH on-line. Segundo ele, alguém precisa varrer áreas do céu todas as noites procurando pequenas alterações na luz das estrelas que possam indicar as grandes variações que ocorrem nas fases finais das estrelas. "Não é raro que astrônomos amadores descubram supernovas ou cometas", diz.

As supernovas podem dar muitas informações sobre a evolução do universo. "As mais importantes estão relacionadas com a nucleossíntese, a fabricação de elementos pesados em processos nucleares de alta energia", diz Maciel. Nas estrelas, elementos são transformados em outros -- no Sol, a fusão de hidrogênio produz hélio, por exemplo. Mas para produzir elementos mais pesados, como o oxigênio, são necessários eventos muito energéticos, como as explosões de supernovas.

Tiago Lethbridge
Ciência Hoje on-line
01/04/02

pg. 1/1

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