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Paulo Pimentel

Curitiba, 9 a 15 de abril de 2002
As estrelas supernovas descobertas por brasileiros

Ronaldo Rogério de Freitas Mourão

Há quase exatamente 42 anos, pela primeira vez um astrônomo brasileiro, Alércio Moreira Gomes (1915-1988) - astrônomo do Observatório Nacional -, descobriu quatro estrelas supernovas - num intervalo de seis meses, com auxilio do telescópio Schmidt de 120cm - um dos maiores do mundo - que se encontra instalado no Observatório de Monte Palomar. Gomes foi para o Observatório de Monte Palomar em abril de 1959 com uma bolsa da CAPES do Ministério da Educação e Saúde, na época. Nos EUA, ganhou uma bolsa da Fundação Guggenheim, em 1.º de outubro de 1960, para prosseguir nos seus estudos e pesquisas.

A primeira supernova (1960m) foi descoberta em agosto de 1960, com uma magnitude 15,5, na galáxia NGC 2565 e a segunda (1960n) foi descoberta em outubro de 1960, com magnitude 16,5, na galáxia NGC 4399. Ambas foram encontradas em galáxias situadas na constelação de Câncer. A terceira (1960p) foi encontrada, em novembro de 1960, na constelação de Pisces, com um brilho de 17,5. A quarta (1961e) foi descoberta em janeiro de 1961, nas Nuvens de Shane, com uma magnitude 17,0, numa galáxia anônima, ou seja, sem classificação em catálogo.

Segundo brasileiro descobridor de uma supernova foi o astrônomo Paulo Sérgio de Souza Pellegrini (1949- ) do Observatório Nacional -, em 11 de julho de 1983. Em colaboração com N. Nunes, L. N. da Costa e D. Latham descobriu uma supernova próximo ao núcleo da galáxia NGC 5746, com o telescópio de 1,6m do Observatório Astrofísico Brasileiro.

O terceiro brasileiro descobridor de uma supernova foi o astrônomo amador Paulo Fonseca de Cacella (1962- ), de Brasília, que, no dia 8 de março de 2002, descobriu uma estrela supernova de magnitude 15,5 na galáxia NGC 3190. Esta supernova situada na constelação do Leão, foi designada de 2002bo. Em conseqüência, Cacella passou a ser o primeiro astrônomo amador brasileiro a descobrir uma supernova.

A supernova é um evento relativamente raro. De fato, observa-se em média somente três supernovas por século em uma mesma galáxia. Na Via-Láctea, três supernovas foram registradas ao longo do último milênio. A mais antiga ocorreu no ano 1054, na constelação de Taurus (Touro), e deixou como resíduo a nebulosa do Caranguejo, com um pulsar - radiofonte que emite pulsos regulares - no seu centro. A segunda foi a estrela observada por Tycho Brahe, em 1572, na constelação de Cassiopea (Cassiopéia). Finalmente, a terceira - a supernova 1604 - foi observada por Kepler, na constelação de Ophiuchus (Ofiúco).

Em geral, a grande maioria das supernovas foi registrada nas galáxias exteriores à Via-Láctea, a nossa Galáxia. A primeira supernova extragalática foi observada em 1885, na galáxia Messier 31, na constelação de Andrômeda, pelo astrônomo alemão E. Hartwig e outros. Desde então observou-se cerca de mais de 20 supernovas por ano, sendo que a mais brilhante - atingiu a magnitude 3 - foi observada, em 1987, na Grande Nuvem de Magalhães.

No seu brilho máximo, uma supernova pode tomar-se, às vezes, mais luminosa que a galáxia onde está situada. Sua luminosidade pode atingir um valor de 10 bilhões de vezes a do Sol. A energia liberada no decorrer do fenômeno é enorme, da ordem de 10 elevado a potência 45 joules. As medidas espectroscópicas indicaram que a matéria ejetada, decorrente da explosão, pode possuir uma velocidade da ordem de vários milhares de quilômetros por segundo. O fenômeno da supernova é o de um cataclisma muito violento que faz explodir completamente uma estrela relativamente maciça que atingiu um estágio muito avançado da sua evolução. A maior parte da massa ejetada durante a explosão constitui o que se convencionou denominar resto de uma supernova. Sua aparência é a de uma nebulosa em expansão, com emissões de rádio e de raios X provenientes de uma emissão sincrotron. A fração de massa não ejetada - coração da estrela - constitui um resíduo muito compacto. Tem a forma de uma estrela de nêutron - fonte que emite pulsos em onda de rádio com grande regularidade - de onde o nome dado ao seu núcleo de pulsar.

Distinguem-se dois tipos de supernovas, que diferem entre si pela curva de evolução da sua luminosidade em relação ao tempo. As do tipo I são as mais brilhantes e o seu brilho decresce mais lentamente que o das supernovas do tipo II que são, ao contrário, mais freqüentes, segundo as hipóteses atuais.

Por um lado, uma supernova do tipo I provém da evolução de um sistema binário que possuía como companheira uma anã-branca, que progressivamente por atração gravitacional subtrai a matéria de sua companheira e acaba por explodir. Por outro lado, as supernovas do tipo II são estrelas maciças isoladas que explodem, após ter esgotado todo o seu combustível nuclear. Nesse momento, o seu núcleo, em geral constituído de ferro, implode violentamente quando as reações termonucleares cessam, embora elas prossigam entre as camadas periféricas da estrela.

Ronaldo Rogério de Freitas Mourão é pesquisador-titutar do Museu de Astronomia e Ciências Afins, no qual foi fundador e primeiro diretor, autor de mais de 65 livros, entre outros livros, do "Anuário de Astronomia 2002". Consulte a homepage: http://www.ronaldomourao.com

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